Mudança para novo site

Já faz algum tempo que ando meio negligente com meu velho blog e a ideia que ele representa. Sem contar outros momentos em que meses se passaram entre uma publicação e outra. Por isso talvez já tenha passado da hora de recomeçar as coisas.

Nada melhor para um recomeço do que sair da nossa boa e velha zona de conforto e se jogar de cara num lugar ou numa situação completamente nova. E é isso que está acontecendo aqui.

Aqui estou tendo que aprender todo um mundo novo no que diz respeito ao que é e quais as funcionalidades de um blog em relação ao que já estive acostumado por uma vida. A principal mudança e o blog indo para um novo endereço e um novo sistema (que é novo pra mim mas muita gente por aí já tem bastante prática). Não é meu objetivo entrar nos detalhes técnicos a respeito dessa mudança do blog para o novo endereço.

Durante meus estudos para a escolha de um novo endereço e sistema a ser usado pelo blog me vieram em mente alguns questionamentos sobre o seu objetivo. Talvez seria essa uma boa hora pra tentar algo novo mas sem deixar o antigo de lado. Até então o objetivo do blog sempre foi publicar aos meus poucos leitores alguns projetos de histórias que me vinham em mente, junto com alguns contos que eu conseguia finalizar e eventualmente algum texto curto e reflexivo sem muito objetivo ou intensão (Frutos da Insônia). Mas, com o passar do tempo, eram poucos os textos em que eu me permitia publicar (Estrada Temperamental). Por uma mistura de procrastinação com a escrita e aquela velha autocrítica que nunca acha que nada está bom o bastante para ser mostrado à qualquer pessoa. Com isso a quantidade de postagens feitas no velho blog foi diminuindo de forma considerável ao longo do tempo. Para explicar melhor, talvez seja necessário fazermos uma pequena viagem no tempo.

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Quarta-feira

TÉRREO!

Por que será que todo mundo que conheço meio que ignora a quarta-feira?

Sério! Não tem uma pessoa além de mim que gosta da quarta-feira. A maioria nem mesmo tem uma opinião formada sobre ela. O que tem de tão errado com esse dia? É porque não fica nem no início e nem no final da semana? É porque ela fica igualmente longe daquela coisa chamada final de semana que todo mundo ama? Eu nunca entendi uma coisa dessas e acho que nunca vou conseguir entender.

PRIMEIRO ANDAR!

Vai ver é porque eu entendo o que a quarta-feira sente ao ser ignorada pela maioria das pessoas. Ela não é uma segunda-feira para receber o ódio daqueles que tiveram finais de semana memoráveis chegando ao fim, ou apenas fingiram isso numa publicação ou série de fotos no Facebook, e ela também não é uma sexta-feira para ser amada e idolatrada com fotos de copos e garrafas de cerveja acompanhadas por algo como “Começando os trabalhos” nas suas descrições.

SEGUNDO ANDAR!

Acho que uma quarta-feira nunca vai receber um perfil no Twitter ou no Facebook que não faz nada além de avisar que esse dia chegou.

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A Zebra e o Abutre

Era uma vez um abutre que gostava de comer abacate. Mas o abutre não podia comer abacate, ele precisava comer sua velha e boa carniça de sempre. Era terrível para esse pequeno abutre continuar comendo carniça depois de sua última descoberta a respeito das carniças. Ele decidiu abandonar sua dieta a base de carniça no dia em que fez amizade um tanto inesperada com uma zebrinha bem curiosa.

Certo dia, enquanto procurava alguma carniça pela manhã, o abutre viu uma zebra triste ao lado de uma suculenta carniça e ficou curioso com a cena.

– Porque você está chorando enquanto olha para esta carniça aí no chão?

– Minha mãe foi atacada por uma leoa.

– E onde está sua mãe?

– Aqui!

– Mas isso aí é uma carniça, é comida, não é uma zebra. Sua mãe é uma carniça?

– Isso que você chama de carniça era, na verdade, minha mãe antes de uma leoa vir nos atacar. Minha mãe me protegeu. A leoa acabou levando minha mãe ao invés de mim. Fiquei escondido num matagal enquanto a leoa devorava minha mãe até ficar satisfeita. Eu não consegui fazer nada para protegê-la, fiquei parado aqui feito um covarde. Nem sei quanto tempo se passou. Desde então permaneci aqui. Não podia deixar que ninguém mais devorasse o que restou dela.

– Mas isso não é possível. Nunca vi um animal se transformar em carniça antes.

– O quê? De onde você acha que vem as carniças?

– Da terra. Sempre que encontro uma carniça, encontro na terra. Me pareceu óbvio que elas brotavam da terra como as arvores.

– Nunca passou pela sua cabeça que talvez as carniças não brotavam da terra como brotam as arvores?

– Algumas vezes . Mas os abutres mais velhos continuaram dizendo para parar com as perguntas idiotas e aceitar logo que a carniça brotava da terra. Diziam que assim a vida seria um pouco mais fácil.

– E nenhum deles se importava com a morte dos outros animais?

– Não sei. O que é a morte?

– Sua mãe nunca lhe ensinou sobre a morte?

– Nunca conheci minha mãe. Quando nasci, tudo que encontrei ao meu redor, foram alguns ovos esmagados e uma carniça do lado. Me alimentei dela durante semanas. Um tempo depois, quando eu descobri que podia voar, acabei encontrando outros abutres. Não gostei muito deles, mas me ensinaram algumas coisas. Como encontrar carniça, por exemplo.

– E nenhum deles nunca te disse que carniça era na verdade o resto de um animal devorado?

– Não acho que eles saibam disso. Se soubesse, talvez não comeriam. Não me parece muito certo comer esta carniça agora que sei que na verdade isto é o resto do corpo devorado de sua mãe. Mas se eu não comer carniça, o que eu iria comer?

– Já comeu abacate?

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A Coruja que pia

Era uma vez uma coruja que piava. Ela piava alto e o tempo inteiro infernizando os ouvidos de quem seu pio alcançasse, mas sem que ninguém conseguisse em lugar algum descobrir de onde que vinha esse pio. O Olimpo já não aguentava mais aquela coruja piando o tempo inteiro, até que resolveram contratar o melhor caçador de todos os tempos para encontrá-la.

Ártemis quase enlouqueceu de ciúmes quando soube que teria sido Órion e não ela a ser contratado como o melhor caçador de todos os tempos. Ela se considerava a melhor caçadora e ameaçava qualquer um que ousasse tentar lhe roubar esse título, principalmente sendo esse qualquer um “um gigantezinho abusado” chamado Órion.

Teve início uma dura e sangrenta caçada para descobrir quem foi o responsável por contratar Órion ao invés dela. Ninguém em qualquer reino, lugar ou dimensão alguma quis enfrentar a ira daquela pequena deusa assassina.

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As Cinco Irmãs

Há muito tempo atrás, antes mesmo do surgimento das primeiras estrelas, ela despertou. Era uma terra escura e deserta sem vida ou qualquer luz. Ela era a própria luz, a escuridão não lhe afetava da mesma forma que afetava qualquer outro que viria a nascer depois. A escuridão sequer existia da forma que todos viriam a temer no futuro. Durante a primeira grande noite, ela vagou, até que a primeira grande estrela surgisse no horizonte iluminando tudo ao seu redor. Era o Sol.

Sentada na beira do primeiro mar, Ela assistiu maravilhada surgir ao leste num misto de vermelho e amarelo e azul aquela misteriosa figura. O Sol, por sua vez, ficou maravilhado com aquela luz branca que o admirava da beira do mar. Ali no horizonte o Sol parou e ficou. Por um longo tempo os dois apenas se olharam. Ele havia se apaixonado e não queria deixar aquela bela imagem lhe fugir. Por quanto tempo tudo permaneceu parado não se sabe. Aquele ficou conhecido como o primeiro grande dia, tão longo ou talvez maior que a primeira noite.

Fazer aquilo estava drenando completamente todas as forças do Sol. Ele sabia que não conseguiria se manter parado no horizonte por muito mais tempo. Então deixou que o tempo voltasse a fluir, se despediu Dela e começou sua trajetória ao longo do céu até desaparecer no outro lado do horizonte nas montanhas sem saber se conseguiria retornar a ver aquela luz por quem se apaixonara.

Ainda sentada, Ela acompanhou todo o caminho que o Sol percorreu pelo céu até desaparecer nas distantes montanhas ao oeste com a mesma combinação de cores que por tanto a impressionou, mas agora, trazendo a Escuridão. Ali nasceu a Escuridão que viria a causar temor no coração de tantos no futuro. Mas aquela Escuridão não lhe trazia medo, lhe trazia apenas Tristeza e Solidão. Sentimentos que lhe acompanharam pelo que veio a se tornar a segunda grande noite.

Banhada pela Tristeza e pela Solidão que havia nascido com a partida do Sol e o início da Escuridão, Ela vagou por toda a terra em sua volta em busca de algo que Ela mesma não sabia o que era. Ela vagou pelas planícies desertas em direção as montanhas onde o Sol havia desaparecido, mas não o encontrou. Do alto das montanhas Ela pôde ver a imensidão de terra que lhe cercava. Junto com a Curiosidade, Ela sentiu uma enorme vontade de explorar cada milímetro de todo aquele lugar. E assim o fez, descobrindo que por mais infinita que aquela terra fosse, havia um fim. Em todos os lados, a terra estava coberta pelo Mar. Ela teve vontade de explora-lo, mas diferente do Sol, o Mar nunca foi tão amigável. Sentindo sua vida sendo sugada cada vez que tentava se aventurar pelo Mar até desmaiar e acordar novamente sempre no mesmo local onde acordara pela primeira vez.

Durante sua jornada por toda aquela terra deserta, o Sol jamais tornou a aparecer fazendo com que a segunda grande noite fosse mais longa do que qualquer outra era na terra. Ansiando por vê-lo outra vez, Ela chorou. Suas lagrimas encontraram a terra lhe trazendo a Vida. A Vida se espalhou por todo lugar que ela já havia pisado, até mesmo na beira do Mar sendo capaz de acalmar sua ira pela primeira vez. A Vida se espalhou como um chamado pelo Sol, esperando seu retorno para que pudesse despertar.

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